O DESAFIO DE SER UM MEDITADOR NUM MUNDO ONDE IMPERA COMPETIÇÃO




                                 Escrito por OSHO Centro de Meditação Darshan Zen   
                  15 Novembro 2013 


É provável que o período em que vivemos seja o mais competitivo de sempre. A “era da informação”, em que a televisão, os telemóveis e a Internet desempenham papel de destaque, tornou o mundo mais pequeno, mais rápido e, sim, fundamentalmente competitivo. Por mais empolgante que sejam os nossos tempos, por vezes dá a sensação de estarmos a viver um filme de terror inspirado em Darwin, em que precisamos de toda a nossa energia para ultrapassar os outros a todo o custo.

A competição é, aliás, uma das qualidades atualmente mais apreciadas na educação em quase todas as culturas. Adoro o simbolismo inteligente de Osho quando sugere que a competição, a corrida pelo “primeiro lugar”, começa na própria concepção, no momento em que milhões de espermatozóides competem pelo ancoradouro único que é o óvulo materno. E a corrida continua desde esse momento até à nossa morte. Ensinam-nos a atravessar a meta – durante a nossa formação, nos jogos e desportos, no emprego ou negócio e até na nossa vida pessoal. E, cúmulo dos cúmulos, chegamos mesmo a competir em questões relativas ao “outro mundo”: quem é o mais humilde, o mais espiritual, o mais caridoso...

Não admira, pois, que o mundo não seja um lugar mais pacífico. A competição acarreta consigo toda a desvalorização pessoal, frustrações, stresse, ressentimentos e vinganças que os perdedores sentem. E a frustração inerente ao infindável jogo da competição não está, de modo nenhum, associada apenas à perda. Ela é inerente ao próprio jogo – ninguém que seja apanhado nesta corrida se sente descontraído interiormente. Ele não consegue ser, vive sempre no futuro, nunca contente com o que tem e nunca contente com quem é. Porque acredita no que lhe ensinaram a acreditar: que não vive para ser ele mesmo mas sim para ser “o primeiro”.

Portanto, os que alcançam o último patamar da escada, os que chegam aos lugares do topo sentem quase inevitavelmente um vazio incrível – “E agora?” Frequentemente, é exatamente para estas pessoas, as “bem-sucedidas”, que a vida se transforma numa crise agonizante, culminando por vezes no suicídio – ou então, para alguns, o vazio desencadeia a viragem para a viagem interior.

Convido-o a explorar uma abordagem completamente diferente da vida: a do meditador. O meditador não está preocupado em chegar ao lugar do topo ou em ser alguém que não ele mesmo. O meditador é alguém que quer ser autêntico, para quem a vida é uma celebração, algo sagrado, algo para ser apreciado ao máximo.

Mas então, perguntará o leitor, como ser um meditador e sobreviver num mundo de competição? Como posso abandonar a minha competitividade e, ainda assim, alcançar os meus objetivos na vida? Bem, julgo que há uma questão que precisa de colocar-se a si mesmo com toda a sinceridade: “Será que vivo para o dinheiro, o poder e o prestígio? Ou estou disposto a ser eu mesmo, a viver a vida de acordo com a minha verdade, independentemente das consequências que daí advenham?”

Este tipo de decisão de vida não pode ser tomada a partir do exterior ou de uma qualquer conclusão racional. Ela só pode vir do mais fundo de si. Não se trata de mais um objetivo a alcançar: a viagem interior é uma viagem em que não nos conhecemos senão a nós mesmos. Ela requer alguma coragem já que ninguém pode ajudá-lo a percorrer esse caminho.

Mas a viagem interior é a única que é autêntica e pode começá-la já, neste momento, no mundo competitivo em que vive. Ela não implica, de modo algum, uma fuga; não implica abandonar tudo, ir esconder-se num mosteiro nas montanhas e deixar de jogar. Não, decididamente não. Continuemos no mundo, a experimentar as suas belezas e os seus desafios e a conhecermo-nos através deles.

Diz Osho:
“Não fuja. Fique onde está e continue a mergulhar mais fundo e a buscar-se. No dia em que estiver sentado no mercado e o mercado estiver lá mas não for mais um mercado para si, dê a busca por encerrada”.
“A meditação permitir-lhe-á concentrar-se sempre que for necessário mas, quando não houver necessidade, você permanecerá descontraído, fluindo em todas as direções, como a água.”
Osho, Finger Pointing to the Moon e The Art of Dying

Vamos explorar essa viagem interior. Preparado? Pronto? Então, lá vamos nós...


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